ODS 11 — Cidades e comunidades sustentáveis: para quem estamos construindo as cidades do futuro?

ODS 11 — Cidades inteligentes, humanas e sustentáveis: para quem estamos construindo as cidades do futuro?

Da série: O QUE VEM POR AÍ EM 5 ANOS? E OS ODS DA ONU?

Nos artigos anteriores desta série, procurei olhar para alguns dos grandes desafios dos próximos anos utilizando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU como uma espécie de referência para imaginar o futuro próximo. Falamos sobre fome, saúde e bem-estar e educação, sempre tentando observar duas coisas ao mesmo tempo: as enormes possibilidades abertas pelas novas tecnologias e os desafios sociais, econômicos e humanos que elas também podem criar.

Agora chegamos ao ODS 11 — Cidades e Comunidades Sustentáveis, que eu prefiro completar como Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. E que tem metas para habitação, mobilidade, segurança, cultura e impacto ambiental. Vale também dar uma olhada com atenção nas normas ISO 37120/122/123 que tratam de indicadores para Cidades Inteligentes, Resilientes e Sustentáveis.

Começando pela parte “inteligente”, uma pergunta que deveria estar no centro de qualquer discussão sobre cidades inteligentes (smart cities): Inteligentes para quê e para quem?

É possível imaginar uma cidade cheia de sensores, câmeras, algoritmos, veículos autônomos, prédios conectados e sistemas de Inteligência Artificial. Isso não garante que seja uma cidade melhor para viver.  Uma cidade pode ser altamente tecnológica e, ao mesmo tempo, ser desigual, insegura, poluída, cara, congestionada e hostil para crianças, idosos e pessoas com deficiência.

A ideia de cidade inteligente precisa evoluir. Não basta uma cidade inteligente. Precisamos de cidades inteligentes, humanas e sustentáveis. E a palavra mais importante dessa expressão é justamente “humanas”.

Durante décadas, nossas cidades foram organizadas em torno de alguns princípios relativamente claros. As pessoas moravam em um lugar, iam para outro para trabalhar, utilizavam determinadas áreas para comércio e serviços e retornavam para casa no final do dia.

Esse modelo já vinha sofrendo mudanças, mas a pandemia, a digitalização, o trabalho remoto, a Inteligência Artificial e as novas formas de mobilidade aceleraram algumas transformações que serão cada vez mais importantes nos próximos cinco ou dez anos.

Não vamos mais perguntar: “Onde fica o escritório?”, mas: “Por que o trabalho de hoje precisa acontecer naquele lugar?”. O conceito de anywhere office, ou escritório de qualquer lugar, que começou improvisadamente, está transformando profundamente a relação entre trabalho, habitação e cidade, e vai acelerar.

Uma pessoa poderá trabalhar alguns dias em casa, outros em espaços compartilhados, outros em uma empresa e até em outra cidade ou país. Isso pode reduzir radicalmente os deslocamentos e mudar a importância dos grandes centros empresariais. Pode levar serviços e atividades e econômicas para bairros antes predominantemente residenciais.

E pode permitir que algumas pessoas escolham onde querem viver com base na qualidade de vida, e não apenas na proximidade do escritório. Não será uma transformação automática.

O fim de todo deslocamento diário? Muitas atividades continuarão exigindo presença física. Profissionais de saúde, construção, manutenção, hotelaria, turismo, comércio, cultura, educação presencial e inúmeros outros setores continuarão dependendo do contato direto.  Mesmo atividades realizadas remotamente podem manter encontros presenciais. As pessoas gostam de conviver e trabalhar juntas em determinados momentos. Gostam de participar de eventos e de estar em uma cidade viva.

Ainda não veremos o fim do deslocamento. Veremos mudanças em “porque, quando e para onde” nos deslocamos. A cidade pode deixar de ter um único grande movimento diário com milhões indo para o centro pela manhã e retornando no final do dia e passar a ter fluxos mais distribuídos. Isso ainda vai gerar enormes consequências para o transporte, o comércio e para o valor dos imóveis.

Uma das grandes transformações urbanas vai acontecer na mobilidade. Carros elétricos, aplicativos de transporte, bicicletas e patinetes compartilhados, sistemas inteligentes de trânsito e, em algum momento, veículos cada vez mais autônomos certamente irão mudar nossa relação com o automóvel.

Durante décadas, possuir um carro foi quase uma necessidade para muitas famílias. No futuro, e já em algumas regiões, é possível utilizar uma combinação de transporte público, veículos compartilhados, bicicletas, micromobilidade e carros autônomos sob demanda.

A pergunta pode mudar de: “Qual carro eu vou comprar?”, para: “Qual é a melhor maneira de chegar onde preciso? Ou, será que preciso mesmo ir?”

A Inteligência Artificial pode ajudar a integrar essas opções, analisando trânsito, clima, horários, custos e disponibilidade.  A Tecnologia não resolve sozinha o problema da mobilidade. Uma cidade continuará precisando de calçadas, metrôs, trens, ônibus, ciclovias e espaços seguros. Uma cidade inteligente não pode ser construída apenas para carros inteligentes.

O envelhecimento da população tornará essa discussão ainda mais importante. Cidades foram tradicionalmente projetadas, em grande parte, para adultos economicamente ativos, capazes de caminhar, dirigir, subir escadas e realizar longos deslocamentos. Uma sociedade com mais pessoas de 60, 70, 80 ou 90 anos exige outra lógica. Calçadas melhores. Transporte acessível. Moradias adaptadas. Serviços próximos. Espaços públicos seguros. Tecnologias simples de utilizar.

A própria mobilidade pode ser transformada por veículos autônomos e sistemas inteligentes capazes de ampliar a independência de pessoas com limitações físicas. Precisamos tomar cuidado para não criar cidades que funcionem apenas para quem domina perfeitamente as novas tecnologias. Um aplicativo não pode se tornar uma barreira para o cidadão que não consegue utilizá-lo.

A transformação do trabalho também já está transformando a habitação. Se mais pessoas trabalham em casa, mesmo que parcialmente, a residência deixa de ser apenas um lugar para dormir, descansar e conviver com a família. É também escritório, sala de aula, espaço de criação e, local de pequenos negócios. Prédios, cada vez mais, vão oferecer salas de reunião, coworkings, áreas de estudo e infraestrutura digital.

A transformação tecnológica pode aumentar o preço da habitação em regiões mais conectadas e agradáveis. Se uma pessoa puder trabalhar de qualquer lugar, cidades com melhor qualidade de vida podem atrair novos moradores e pressionar os preços dos imóveis. O futuro do trabalho pode se transformar em um novo desafio para a habitação.

Pedi ao copilot que listasse objetivamente uma relação de empregos atuais que seriam ameaçados apenas na área de construção e habitação e, em contrapartida, que empregos poderiam ser criados nesse segmento. Eis a resposta:

Empregos potencialmente ameaçados

  • Pedreiros em obras tradicionais – a construção modular e a impressão 3D reduzem a necessidade de mão de obra intensiva em alvenaria.
  • Fabricantes de materiais convencionais – tijolos comuns e cimento tradicional podem perder espaço para materiais sustentáveis e reciclados.
  • Leituristas de energia – com energia solar e sistemas inteligentes, a leitura manual de consumo tende a desaparecer.
  • Trabalhadores de saneamento manual – soluções descentralizadas (banheiros secos, biodigestores) reduzem a necessidade de grandes equipes em redes convencionais.
  • Serviços informais de fornecimento de água e energia – em comunidades pobres, muitos dependem de ligações clandestinas; tecnologias acessíveis e regulares podem eliminar essa prática.

Empregos novos ou transformados

  • Operadores de impressão 3D para construção – profissionais especializados em máquinas de impressão de casas.
  • Engenheiros de materiais sustentáveis – pesquisa e aplicação de novos insumos ecológicos.
  • Instaladores de energia solar comunitária – técnicos para implantar e manter sistemas solares acessíveis.
  • Gestores de saneamento descentralizado – responsáveis por operar e monitorar soluções locais de esgoto e água.
  • Especialistas em microfinanciamento digital – profissionais que conectam fintechs e moradores para crédito habitacional.

Em resumo: empregos manuais e informais tendem a ser reduzidos, enquanto surgem oportunidades ligadas à tecnologia aplicada à construção, energia limpa, saneamento inovador e inclusão financeira.

Legal! Empregos extintos X empregos criados, Ótimo! Mas, e o perfil dos ocupantes desses postos é o mesmo? Claro que não. Então em várias áreas, transições estudadas e trabalhadas terão que ser implantadas.

Um conceito que vem ganhando atenção é o de cidades ou bairros em que grande parte das necessidades cotidianas possa ser atendida perto de onde as pessoas vivem. “A cidade dos quinze minutos”.

Trabalho. Comércio. Escola. Saúde. Cultura. Lazer. Áreas verdes. Serviços. A ideia não significa que ninguém viajará pela cidade. Significa reduzir a necessidade de fazer longos deslocamentos para realizar atividades básicas. A tecnologia vai ajudar a organizar melhor essa proximidade, mas a verdadeira transformação é urbanística e social.

Uma cidade inteligente será aquela que permite às pessoas ganhar tempo. E tempo já é um dos recursos mais valiosos da sociedade e seguirá aumentando.

O crescimento do comércio eletrônico, das entregas e dos sistemas digitais já está transformando lojas e centros comerciais. Muitos produtos já podem ser comprados sem que o consumidor precise sair de casa. Mas isso não significa necessariamente o fim do comércio físico.

As lojas terão que ser cada vez mais locais de experiência, demonstração, convivência e atendimento personalizado, se quiserem sobreviver.  Mercados, restaurantes, cafés, feiras e pequenos comércios continuarão desempenhando uma função que vai muito além da simples venda de produtos. São espaços de encontro. São parte da vida do bairro. A grande questão será encontrar um equilíbrio entre conveniência digital e vida urbana.

Uma cidade em que tudo é entregue em casa pode ser eficiente. Mas será que será uma cidade interessante?

A automação também afetará profundamente as cidades. Caixas automáticos, sistemas de autoatendimento, robôs de limpeza, armazéns automatizados, veículos autônomos e Inteligência Artificial irão reduzir a necessidade de trabalhadores em determinadas funções, com isso, alguns empregos desaparecerão e outros serão radicalmente transformados.

Novas atividades também vão surgir. Será necessário instalar, manter, supervisionar e aperfeiçoar as novas tecnologias.  Precisaremos de especialistas em dados, IA, robótica, energia, cibersegurança, mobilidade, construção sustentável e gêmeos digitais.

As cidades podem criar ou valorizar empregos que são mais difíceis de automatizar: Cuidado com pessoas. Saúde e Educação e Cultura. Gastronomia, Turismo e Esportes. Entretenimento. Serviços personalizados. Manutenção especializada. Atividades artísticas, e, certamente, Sustentabilidade.

O futuro urbano será marcado por uma combinação aparentemente contraditória: mais automação nas tarefas repetitivas e mais valorização das experiências humanas.

O que permanece? Se carros se tornarem autônomos, lojas mais automatizadas, escritórios parcialmente virtuais e serviços cada vez mais digitais, o que continuará sendo importante nas cidades?  Algumas coisas não apenas permanecerão, mas poderão se tornar ainda mais valiosas: Praças. Parques. Praias. Museus. Teatros. Restaurantes. Estádios. Espaços culturais. Locais de encontro.

A cidade continuará sendo, acima de tudo, um lugar onde pessoas encontram outras pessoas, e justamente porque poderemos fazer mais coisas virtualmente, o encontro presencial passará a ter ainda mais valor.

No primeiro artigo desta série, levantei a possibilidade de que a automação e a IA possam aumentar significativamente a produtividade e reduzir a quantidade de horas de trabalho necessárias para produzir determinados bens e serviços.

Se isso ocorrer, poderemos ter mais tempo disponível.  Aqui, as cidades poderão desempenhar um papel central. Uma cidade agradável para viver não é apenas aquela que permite trabalhar. É aquela que oferece oportunidades de lazer, esporte, cultura, convivência, educação e diversão.

Poderemos assistir a uma expansão da chamada economia das experiências. Mais turismo. Mais eventos. Mais atividades culturais. Mais esportes. Mais gastronomia. Mais entretenimento. Mais atividades comunitárias. Mais vida saudável. Isso pode representar uma nova fonte de empregos e renda.

O turismo poderá ganhar importância especial. Se o trabalho se tornar mais flexível e as pessoas tiverem mais liberdade para escolher onde trabalhar e onde viver, as fronteiras entre turismo, residência temporária e trabalho serão menos claras.

Uma pessoa pode passar algumas semanas trabalhando em outra cidade. Pode combinar férias e trabalho. Pode escolher uma cidade não apenas para visitar, mas para viver temporariamente. Isso cria oportunidades e problemas. Cidades turísticas poderão enfrentar pressão sobre preços de moradia, infraestrutura e serviços.

Cidades como Rio de Janeiro e Miami que já tem esse perfil, serão beneficiadas se estiverem atentas e preparadas. Aliás, vale acompanhar as recomendações do G20, e, não por coincidência, o Rio como sede em 2024 e Miami em 2026 estão discutindo muitos dos pontos cobertos pelos ODS. Cidades como Curitiba, Niterói, Floripa e Vitória também tem bons exemplos no Brasil.

Mais uma vez, será necessário equilibrar desenvolvimento econômico e qualidade de vida para os moradores. Uma cidade não pode ser planejada apenas para quem a visita. Precisa continuar funcionando para quem vive nela.

Uma das grandes possibilidades das cidades inteligentes será o uso de dados. Sensores poderão acompanhar trânsito, qualidade do ar, consumo de água, iluminação, coleta de resíduos e outras variáveis.

A Inteligência Artificial poderá identificar padrões e ajudar gestores públicos a tomar decisões. Poderemos saber, por exemplo, onde o trânsito está piorando antes de ocorrer um congestionamento maior. Onde existe desperdício de água e onde a iluminação precisa de manutenção. Quais regiões precisam de maior oferta de transporte, e onde determinados serviços públicos estão sendo mais demandados. A cidade poderá, em certo sentido, ganhar um sistema nervoso digital.

Uma das tecnologias particularmente interessantes para o futuro das cidades são os gêmeos digitais. Imagine uma representação digital de uma cidade, de um bairro ou de uma infraestrutura. Nela, seria possível simular alterações antes de executá-las no mundo real. O que acontece se fecharmos determinada rua? Se for criada uma nova linha de transporte? Se construirmos um empreendimento? Se ocorrer uma enchente e se modificarmos o fluxo de veículos? Se instalarmos painéis solares em determinada região?

O nosso projeto Aranduland (Uma cidade virtual 3d, Inteligente, Humana e Sustentável), em construção permanente, tem essa como uma das finalidades (além de cursos EaD e Games). Simular virtualmente um ambiente real e mostrar e demonstrar como são e como seriam as situações da Sustentabilidade. (ver em Aranduland | Uma cidade digital, sustentável e gamificada).

Será importante e necessário evitar uma nova forma de tecnocracia, em que algoritmos decidem sozinhos como a cidade deve funcionar. Cidades são sistemas técnicos, mas são, principalmente, sistemas humanos. Quanto mais sensores e câmeras existirem, maior será a quantidade de informações sobre os cidadãos. Uma cidade inteligente pode se transformar em uma cidade permanentemente monitorada. Câmeras capazes de reconhecer pessoas e sistemas que acompanham deslocamentos. Dados sobre consumo e informações sobre hábitos.

Tudo isso pode aumentar a eficiência e a segurança, e pode ameaçar privacidade e liberdade. Teremos que discutir quem controla esses dados, como são utilizados e quais limites devem existir. Uma cidade inteligente não pode significar uma cidade sem privacidade.

O ODS 11 também está profundamente conectado aos desafios ambientais. Cidades consomem energia, produzem resíduos, concentram veículos e exercem enorme pressão sobre os recursos naturais. A tecnologia vai ajudar a reduzir esse impacto. Edifícios inteligentes vão controlar melhor o consumo de energia. Redes elétricas serão mais eficientes. A iluminação pública pode funcionar de acordo com a necessidade. Sistemas poderão detectar vazamentos. A coleta de resíduos pode ser otimizada e a economia circular pode reduzir a quantidade de materiais descartados.

A sustentabilidade não será alcançada apenas por meio de tecnologia. Será necessário repensar hábitos de consumo, planejamento urbano e utilização do espaço.  As cidades no futuro têm que recuperar uma relação que perderam (se é que tiveram!): a relação com a natureza. Parques, árvores, rios recuperados, áreas de convivência e infraestrutura verde serão cada vez mais importantes, inclusive como forma de adaptação ao aumento das temperaturas e a eventos climáticos extremos.

Uma cidade sustentável não será aquela que possui mais tecnologia, mas sim aquela que consegue combinar tecnologia, natureza e qualidade de vida. Onde uma criança possa brincar e um idoso possa caminhar. Onde uma pessoa com deficiência possa se deslocar e onde seja possível respirar melhor e seja agradável ficar.

Outra transformação importante: Uma sociedade com maior longevidade certamente terá pessoas trabalhando por mais tempo, não da mesma maneira. Um profissional de 70 anos poderá não querer ou não conseguir ou não precisar trabalhar 30, 40 ou 50 horas por semana (espero que ninguém precise), mas poderá continuar contribuindo como consultor, mentor, professor, empreendedor ou participante de projetos específicos (presencialmente ou à distância).

A cidade terá que oferecer infraestrutura para isso. Espaços de trabalho flexíveis e com boa conectividade. Mobilidade acessível. Locais de encontro. Programas de atualização profissional. Educação ao longo da vida (Lifelong learning).

O envelhecimento não deve significar aumento da população dependente. Pode significar o surgimento de uma enorme quantidade de conhecimento e experiência disponível para a sociedade.

O conceito de anywhere office está provocando mudanças que ainda não conseguimos medir completamente. Se uma parte significativa das atividades puder ser realizada de qualquer lugar, empresas poderão contratar profissionais em diferentes cidades e países (já acontece e vai acelerar!). Centros das cidades esvaziados já são realidade e precisam criar moradias.

Muitos poderão morar longe das grandes áreas empresariais. Cidades médias poderão atrair novos profissionais. Regiões antes consideradas periféricas podem se beneficiar de conectividade de alta qualidade. Mais uma vez, educação e qualificação serão fundamentais. A tecnologia pode ampliar oportunidades, mas também pode ampliar a concorrência.

Estamos começando a ter condições tecnológicas para construir cidades muito mais eficientes, mas isso não pode ser o único indicador.  Uma cidade eficiente pode economizar alguns minutos de deslocamento e, ao mesmo tempo, destruir espaços de convivência. Pode aumentar a segurança e reduzir a privacidade. Pode digitalizar todos os serviços e excluir quem não possui acesso ou conhecimento tecnológico. Pode atrair investimentos e expulsar seus moradores mais antigos por causa do aumento dos preços.

Por isso, a tecnologia deve ser um instrumento. O objetivo continua sendo a população. Precisamos perguntar, antes de implantar qualquer inovação: isso melhora a vida das pessoas? De quais pessoas?

Nos próximos cinco anos, veremos cidades cada vez mais conectadas. Mais sensores, mais Inteligência Artificial, mais automação e serviços digitais. Mais veículos elétricos. Mais trabalho híbrido e remoto com mais comércio digital. Mais possibilidades de mobilidade.

A cidade inteligente do futuro não será aquela que tenha mais telas, sensores ou algoritmos. Será aquela que consiga usar essas ferramentas para devolver às pessoas aquilo que a própria urbanização moderna muitas vezes retirou: tempo, segurança, mobilidade, natureza, convivência e qualidade de vida.

Se a automação realmente reduzir parte do trabalho repetitivo, se o trabalho puder ser realizado de diferentes lugares e se as pessoas viverem mais, as cidades terão que se adaptar. Teremos que pensar em casas, transportes, comércio e espaços de trabalho diferentes. E, principalmente, em novos espaços para viver.

De novo: Mais cultura, esporte e arte. Mais turismo, educação e vida saudável. Mais convivência. Mais experiências.  A cidade deixa de ser apenas uma máquina para trabalhar, produzir e consumir e volta a ser aquilo que, no fundo, sempre deveria ter sido: um lugar para as pessoas viverem bem.

E, concluindo, essa é a grande pergunta que o ODS 11 nos coloca para os próximos anos: Com toda a tecnologia que teremos disponível, conseguiremos construir cidades não apenas mais inteligentes, mas realmente mais humanas e sustentáveis?

O verdadeiro desafio será construir uma visão de cidade capaz de combinar produtividade e qualidade de vida. Inovação e inclusão. Eficiência e privacidade. Tecnologia e natureza. Trabalho e lazer. Habitação e mobilidade. Juventude e envelhecimento. Crescimento econômico e sustentabilidade.

Essa será uma das maiores oportunidades e um dos maiores desafios dos próximos anos!

No próximo artigo vamos abordar os ODS 8, 9 e 12 e tratar de trabalho, emprego e economia circular. Em seguida ODS 6 e 14 tratando de Economia azul!

OBS1: Imagem feita com GEMINI

OBS2: Texto feito por mim a partir de lista de tópicos dos ODS e metas feito pelo chatgpt e casados com minha experiencia em Tecnologia, gestão, EaD e Sustentabilidade

Conheça (Aranduland | Uma cidade digital, sustentável e gamificada), uma cidade virtual focada nos 17 ODS, em construção permanente, sempre aberta a parcerias para cursos, games, experiencias e imersões, gêmeos digitais e informações.

*Paulo Barreira Milet é um LifeLong Learner, Consultor e empresário nas áreas de Gestão e EaD, founder de Aranduland, Diretor da RIOSOFT e Presidente do Cons. de Educação do Coalizão Rio.

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