ODS 7 — Energia: a grande transformação que movimentará cidades, indústrias e a nossa vida cotidiana

Observando (e projetando) os próximos cinco a dez anos a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, já estou no sétimo artigo (veja lá embaixo) onde tenho procurado identificar tendências e imaginar como a combinação entre novas tecnologias, mudanças demográficas e transformações no trabalho afetará a vida das pessoas. Nesse artigo de hoje, um tema que estará presente, direta ou indiretamente, em praticamente todos os outros: a energia.

O ODS 7 — Energia Limpa e Acessível trata de uma questão aparentemente simples, mas absolutamente central para o futuro: como garantir energia suficiente, confiável, acessível e cada vez mais sustentável para uma população que continuará dependendo de eletricidade, transportes, equipamentos, comunicação, indústria e serviços?

Quando penso nos próximos anos, vejo uma grande transformação em andamento. Certamente, uma única fonte de energia não substituirá todas as outras. O futuro será formado por uma combinação de diferentes soluções: energia solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, etanol, biogás, hidrogênio, energia nuclear em determinados países e regiões, combustíveis tradicionais em processo de redução ou transformação, além de tecnologias que hoje ainda estão em desenvolvimento. E todas as Tecnologias que estão chegando são grande consumidoras de Energia, começando pela IA, e seguindo pelos sistemas de gêmeos digitais, drones, impressão 3d, IoT e qualquer outra.

A grande mudança será a integração dessas fontes com sistemas digitais cada vez mais inteligentes. A energia deixará progressivamente de ser apenas algo produzido em grandes instalações e distribuído para consumidores passivos. Casas, empresas, condomínios, fazendas e indústrias serão também capazes de produzir, armazenar e administrar parte da própria energia. A Inteligência Artificial, os sensores e os sistemas de comunicação ajudarão a equilibrar geração, consumo e armazenamento.

A questão energética será cada vez menos apenas uma questão de engenharia elétrica. Será também uma questão de tecnologia, economia, ambiente, emprego e qualidade de vida.

Durante muito tempo, as discussões sobre energia foram apresentadas quase como uma disputa entre fontes: solar contra hidrelétrica, eólica contra combustíveis fósseis, eletricidade contra etanol.

Cada região possui características próprias. O Brasil, por exemplo, tem vantagens importantes. Possui grande capacidade hidrelétrica, enorme potencial solar, condições favoráveis para energia eólica, uma forte tradição no uso do etanol e da biomassa e uma importante produção relacionada ao setor de petróleo e gás.

A transição energética brasileira não será uma simples substituição de uma fonte por outra. Será uma reorganização de todo o sistema.

A energia solar continuará crescendo, especialmente em residências, empresas, propriedades rurais e grandes usinas. A energia eólica terá papel cada vez maior, inclusive com o desenvolvimento de projetos offshore. A biomassa continuará relevante em um país com forte agroindústria. O etanol poderá ganhar novas funções dentro da transição para transportes mais sustentáveis. O biogás poderá transformar resíduos agrícolas, urbanos e industriais em energia. E o hidrogênio verde será uma das grandes apostas tecnológicas para determinados setores onde a eletrificação direta será mais difícil.

Vamos evitar a ideia de que existe uma solução única e milagrosa. A grande inovação será construir sistemas capazes de combinar diferentes fontes de energia de forma inteligente.

Uma das transformações mais visíveis será a expansão da energia solar. Durante décadas, a energia foi algo que vinha de longe. Grandes usinas produziam e grandes redes distribuíam. A energia solar muda parcialmente essa lógica. Uma residência ou empresa ou escola podem gerar parte da própria eletricidade. Isso cria uma relação mais próxima entre o consumidor e a produção de energia.

Nos próximos anos, veremos sistemas mais eficientes, equipamentos mais acessíveis e maior integração com baterias e sistemas inteligentes de gestão. Uma casa ou uma empresa poderá produzir energia durante determinadas horas, armazenar parte dela e utilizar sistemas digitais para decidir como administrar o consumo.

A expansão da geração distribuída exigirá redes mais inteligentes. Será necessário administrar melhor a entrada de energia produzida em diferentes locais. O sistema precisará continuar funcionando para quem não possui painéis solares.

A transição não poderá criar uma nova desigualdade energética entre aqueles que conseguem investir em tecnologia e aqueles que não conseguem. Energia limpa precisa também ser energia acessível.

A energia eólica será outra grande protagonista. O Brasil possui regiões com excelentes condições para geração de energia pelo vento, especialmente no Nordeste. Nos próximos anos, essa atividade continuará criando novas cadeias econômicas relacionadas à fabricação, instalação, operação e manutenção de equipamentos. A expansão da energia eólica também significará novos empregos. Engenheiros. Técnicos. Profissionais de manutenção. Especialistas em automação. Profissionais de logística. Pesquisadores. Empresas de software e monitoramento.

Vejo também um enorme potencial na expansão das discussões sobre energia eólica offshore. Aqui existe uma conexão direta com a Economia Azul, especialmente para estados como o Rio de Janeiro. A instalação e manutenção de estruturas no mar exigirá conhecimentos de engenharia, indústria naval, logística marítima, monitoramento ambiental e tecnologia. Isso vai criar novas oportunidades para portos, estaleiros, empresas de engenharia e centros de pesquisa.

O hidrogênio verde será uma das tecnologias mais discutidas nos próximos anos e sua importância será particularmente grande em setores onde a utilização direta de eletricidade é mais difícil, como determinadas atividades industriais e transporte pesado. O desenvolvimento dessa cadeia criará oportunidades em engenharia, produção de equipamentos, logística, armazenamento, pesquisa e desenvolvimento. Será necessário produzir energia renovável suficiente, desenvolver infraestrutura e reduzir custos e definir onde seu uso faz mais sentido.

Em alguns setores, a eletrificação direta será mais eficiente. Em outros, biocombustíveis continuarão sendo importantes. Em outros, o hidrogênio poderá ser uma solução relevante. Mais uma vez, a inteligência estará na combinação.

Quando falamos em transição energética, às vezes esquecemos uma vantagem importante do Brasil: nossa experiência com biocombustíveis. O etanol continuará tendo relevância e a tecnologia vai tornar sua produção mais eficiente e ampliar o aproveitamento de resíduos. A biomassa continuará oferecendo oportunidades para geração de energia. O biogás e o biometano ganharão espaço a partir de resíduos da agricultura, pecuária, indústria e cidades.

Essa é uma área onde o conceito de Economia Circular se conecta diretamente ao ODS 7. Algo que antes era considerado simplesmente um resíduo pode se transformar em energia. Restos agrícolas. Resíduos da produção de alimentos, efluentes, resíduos orgânicos urbanos.

Uma propriedade rural cada vez mais tecnológica poderá produzir alimentos, utilizar sensores e drones, gerar parte da própria energia e transformar resíduos em novos recursos. A tecnologia conectará produção, energia e sustentabilidade. E vai transformar o trabalho no campo, onde algumas atividades manuais e repetitivas diminuirão.

A indústria estará no centro da transição. Fábricas precisam de energia confiável e precisam reduzir custos, emissões e desperdícios. Nos próximos anos, a Inteligência Artificial será utilizada para acompanhar e otimizar o consumo energético. Sensores identificarão equipamentos ineficientes e sistemas de manutenção preditiva reduzirão perdas. Gêmeos digitais ajudarão a simular processos industriais. Uma fábrica poderá conhecer, em tempo quase real, onde está consumindo energia e onde existem oportunidades de redução.

Isso terá impacto econômico e ambiental e mudará empregos. Determinadas tarefas de controle serão automatizadas. Profissionais precisarão compreender sistemas cada vez mais digitais, isso vai fazer crescer a demanda por técnicos em automação, manutenção avançada, ciência de dados, engenharia energética e cibersegurança industrial.

A indústria continuará precisando de pessoas. Mas precisará de pessoas com competências diferentes. Essa será uma das características de praticamente todos os setores da economia: não será apenas o emprego que mudará; será o próprio conteúdo do trabalho.

O comércio também mudará. Shopping centers, supermercados, lojas e centros de distribuição utilizarão sistemas inteligentes para administrar iluminação, refrigeração, climatização e equipamentos. A Inteligência Artificial ajudará a identificar desperdícios. A energia solar será cada vez mais utilizada em determinadas instalações. Veículos elétricos e sistemas de logística mais eficientes mudarão parte do transporte de mercadorias.

Ao mesmo tempo, o comércio digital continuará alterando os fluxos econômicos. A entrega de produtos exigirá mais planejamento logístico. E a logística será cada vez mais pressionada para reduzir consumo de combustível e emissões.

Os serviços também mudarão. Prédios inteligentes administrarão iluminação e climatização. Escritórios poderão funcionar de maneira mais flexível. O trabalho remoto reduzirá determinados deslocamentos. Isso não significará simplesmente menor consumo de energia.  O consumo será redistribuído. Menos energia em alguns grandes escritórios. Mais consumo em residências e espaços descentralizados. A questão será administrar essa nova realidade de maneira eficiente.

Os serviços públicos também serão transformados. Iluminação pública inteligente poderá reduzir desperdícios. Sistemas digitais ajudarão a acompanhar o consumo energético de prédios públicos. Hospitais, escolas e equipamentos urbanos poderão utilizar sistemas mais eficientes. A Inteligência Artificial ajudará governos a identificar padrões e oportunidades de economia.

O objetivo precisa ser melhorar o serviço. Uma cidade não será inteligente porque instalou sensores. Será inteligente se utilizar esses sensores para reduzir custos, melhorar a segurança, aumentar a eficiência e liberar recursos para áreas importantes para a população.

Em uma cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo, a eficiência energética de grandes estruturas públicas e privadas pode representar uma importante oportunidade econômica. Menos desperdício de energia significa menos custos e isso pode significar mais recursos disponíveis para saúde, educação, mobilidade e outros serviços.

A transformação energética será especialmente visível nos transportes. Veículos elétricos se tornarão mais presentes. Ônibus elétricos ganharão espaço. A logística urbana utilizará veículos menores e mais eficientes. Sistemas inteligentes ajudarão a organizar rotas e reduzir congestionamentos. O Brasil possui características próprias. O etanol continuará sendo relevante. Veículos híbridos terão espaço. A eletrificação avançará. Biocombustíveis continuarão importantes em determinados segmentos. O hidrogênio poderá ser utilizado em algumas atividades específicas. A grande transformação será a diversificação. O transporte do futuro será menos dependente de uma única fonte.

Um sistema inteligente poderá escolher rotas com base no trânsito, no consumo, na disponibilidade de energia e nas necessidades dos usuários. A manutenção também será cada vez mais preditiva. Veículos poderão identificar problemas antes de uma falha completa, reduzindo custos e aumentando a segurança.

Mas também transformará empregos. Mecânicos precisarão conhecer sistemas elétricos e digitais. Profissionais de transporte precisarão trabalhar com tecnologias mais sofisticadas. Determinadas funções serão automatizadas. Várias vão surgir e outras desaparecer.

A transição energética criará uma enorme quantidade de novas oportunidades. Precisaremos de pessoas para instalar painéis solares. Manter turbinas eólicas. Operar sistemas elétricos inteligentes. Desenvolver baterias. Produzir biocombustíveis. Administrar redes. Projetar novas infraestruturas. Criar softwares. Monitorar impactos ambientais. Recuperar equipamentos. Reciclar materiais.

Mas também veremos o declínio de determinadas atividades. Setores ligados a tecnologias mais antigas perderão espaço. Algumas funções de operação serão automatizadas. A transformação exigirá requalificação profissional. Não podemos imaginar que um trabalhador simplesmente deixará uma atividade e automaticamente encontrará outra.

A transição precisará ser planejada e esse será um dos grandes desafios do ODS7. Uma transição energética só será realmente sustentável se for também uma transição socialmente justa.

O que permanece? Essa é uma pergunta que venho repetindo ao longo desta série. Se teremos energia solar, eólica, hidrogênio, baterias, veículos elétricos e redes inteligentes, o que permanece? Permanece a necessidade de energia. Mas permanece também a necessidade de melhorar a vida das pessoas. Continuaremos precisando iluminar casas e cidades. Conservar alimentos. Operar hospitais. Transportar pessoas e mercadorias. Manter escolas funcionando. Produzir bens. Comunicar. Criar. Viajar. Divertir-nos.

A tecnologia mudará a forma como produzimos e consumimos energia. Mas o objetivo continuará sendo humano. A energia será uma infraestrutura essencial para praticamente tudo.

Existe uma conexão importante entre energia, tecnologia e a discussão sobre o futuro do trabalho. Sistemas mais eficientes produzirão mais utilizando menos recursos. A automação reduzirá determinadas tarefas. A Inteligência Artificial aumentará a produtividade em inúmeras atividades.

Se os ganhos dessa produtividade forem distribuídos de maneira equilibrada, teremos a oportunidade de reduzir jornadas e ampliar o tempo disponível para outras dimensões da vida. E isso mudará a própria economia. Cultura. Artes. Esportes. Turismo. Lazer. Educação. Cuidados. Experiências.

Essas atividades ganharão ainda mais importância. Uma sociedade que trabalha menos horas em determinadas atividades precisará descobrir novas maneiras de viver melhor o seu tempo.

O trabalho continuará sendo importante como fonte de renda, realização, criação e participação social. Mas acredito que estamos caminhando para uma sociedade onde a quantidade de horas dedicadas ao trabalho tradicional será progressivamente questionada.

A pergunta será menos “quantas horas precisamos estar no trabalho?” e mais “quais resultados conseguimos produzir e como distribuímos os ganhos dessa produtividade?”.

Também precisamos olhar para a energia como parte da economia das experiências. O turismo depende de transportes. Hotéis dependem de energia. Restaurantes. Museus. Teatros. Eventos. Esportes. Tudo está conectado. Uma energia mais limpa e eficiente pode melhorar cidades turísticas e reduzir impactos ambientais.

No Rio de Janeiro, por exemplo, pensar em energia também significa pensar na relação entre desenvolvimento econômico, praias, turismo, mobilidade e qualidade ambiental. Uma cidade mais eficiente energeticamente será também uma cidade com maior capacidade de melhorar seus serviços e utilizar melhor seus recursos.

Uma das mudanças menos visíveis, mas mais importantes, será a digitalização do sistema energético. Teremos redes mais inteligentes. Mais sensores. Mais dados. Mais automação. Mais Inteligência Artificial. Isso permitirá equilibrar diferentes fontes de geração.

Quando houver muito sol, o sistema poderá aproveitar melhor a energia solar. Quando houver vento, poderá utilizar a produção eólica. Baterias poderão armazenar parte da energia. Consumidores poderão participar de novos modelos de gestão. A energia será cada vez mais um sistema complexo de produção, armazenamento, distribuição e consumo.

A cibersegurança será uma questão energética. Um ataque a uma infraestrutura crítica poderá afetar cidades e empresas. Por isso, o profissional de energia do futuro também terá que compreender tecnologia da informação.

Mas teremos que enfrentar desafios. Garantir acesso à energia. Reduzir custos. Modernizar redes. Preparar trabalhadores. Evitar novas desigualdades. Proteger ambientes naturais. Garantir segurança energética. Reciclar equipamentos. Administrar os impactos da transição. A energia limpa precisa ser também acessível. A tecnologia avançada precisa chegar à população.

Quando olho para os próximos cinco a dez anos, não imagino um mundo movido por uma única fonte de energia. Imagino um sistema muito mais diversificado, conectado e inteligente. O sol, vento, resíduos produzirão energia. A agricultura continuará contribuindo com biocombustíveis. A eletrificação avançará. O hidrogênio encontrará aplicações específicas.

O verdadeiro sucesso dessa transformação não será medido apenas pela quantidade de megawatts instalados ou pelo número de veículos elétricos vendidos. Será medido por uma pergunta muito mais importante: com toda essa inovação energética, as pessoas estarão vivendo melhor?

Se conseguirmos produzir energia de maneira mais limpa, reduzir desperdícios, criar novos empregos, requalificar trabalhadores, melhorar transportes e ampliar o acesso, estaremos diante de uma das maiores oportunidades de desenvolvimento das próximas décadas. A transição energética será tecnológica.

Mas, acima de tudo, precisará ser socialmente justa, economicamente viável e profundamente humana. Porque energia não é apenas aquilo que movimenta máquinas. É aquilo que movimenta cidades, economias e a própria possibilidade de construirmos uma vida melhor.

OBS1: Imagem feita com GEMINI

OBS2: Texto feito por mim a partir de lista de tópicos dos ODS e metas feito pelo chatgpt e casados com minha experiencia em Tecnologia, gestão, EaD e Sustentabilidade

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*Paulo Barreira Milet é um LifeLong Learner, Consultor e empresário nas áreas de Gestão e EaD, founder de Aranduland, Diretor da RIOSOFT e Presidente do Cons. de Educação do Coalizão Rio.

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